No campo da Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC), poucas siglas tiveram tanto impacto e geraram tantos equívocos quanto o BIM (Building Information Modeling). Paralelamente, o Revit, software desenvolvido pela Autodesk, tornou-se uma das ferramentas mais difundidas entre escritórios técnicos e instituições de ensino. A combinação desses dois fenômenos consolidou uma percepção equivocada, em que metodologia e ferramenta passaram a ser tratadas como sinônimos.
Essa confusão, embora pareça apenas terminológica, representa uma barreira significativa à transformação digital do setor AEC no Brasil. Ela afeta diretamente a forma como os projetos são concebidos, desenvolvidos e gerenciados, comprometendo a eficiência e a integração que o BIM propõe.
Na prática, é comum que empresas e profissionais invistam valores expressivos em licenças de software e capacitação, mas mantenham fluxos de trabalho pautados por lógicas tradicionais. O Revit passa a ser usado apenas como uma ferramenta de modelagem tridimensional, sem a aplicação efetiva dos princípios colaborativos e informacionais do BIM. O resultado é um descompasso entre expectativa e desempenho, traduzido em baixa produtividade, retrabalho e retorno financeiro limitado.
Este artigo busca esclarecer, de forma objetiva, a diferença entre metodologia e ferramenta. Compreender essa distinção é essencial para evitar confusões conceituais e assegurar a viabilidade técnica, a competitividade e a sustentabilidade dos projetos no médio e longo prazo.
O que é Building Information Modeling (BIM)?
Para compreender a diferença entre BIM e as ferramentas de modelagem, é essencial definir com clareza o que o termo realmente significa. Ao contrário do que ainda se supõe em muitos contextos profissionais, o BIM não é um software. BIM (Building Information Modeling), ou Modelagem da Informação da Construção, é uma metodologia de trabalho colaborativa que utiliza modelos digitais inteligentes para organizar, gerenciar e compartilhar informações ao longo de todo o ciclo de vida de um empreendimento, desde a concepção até a execução e operação.
Mais do que um recurso para modelar projetos em três dimensões, o BIM propõe uma estrutura integrada de tomada de decisão, em que dados geométricos e não geométricos são consolidados de forma coerente e acessível a todos os agentes do processo. Essa integração transforma o modelo em uma base de informação comum, capaz de orientar o planejamento, o orçamento, a compatibilização e a manutenção de edificações e infraestruturas com maior precisão e eficiência.

Os três pilares do BIM: pessoas, processos e tecnologia
A adoção efetiva do BIM depende do equilíbrio entre três pilares indissociáveis. A fragilidade em qualquer um deles compromete o desempenho do sistema como um todo.
- Pessoas: o fator humano é central na implementação do BIM. Esse pilar envolve capacitação técnica, mudança de mentalidade e disposição para o trabalho colaborativo entre arquitetos, engenheiros, orçamentistas, construtores e clientes. Sem equipes preparadas e alinhadas a uma lógica de cooperação, a tecnologia disponível perde relevância e eficiência.
- Processos: a metodologia BIM pressupõe a revisão dos fluxos de trabalho tradicionais, historicamente fragmentados e sequenciais. Em substituição a modelos isolados por disciplina, propõe-se um processo integrado e simultâneo, no qual as informações são compartilhadas de forma contínua em um Ambiente Comum de Dados (CDE). Essa abordagem reduz retrabalhos, antecipa conflitos e amplia a previsibilidade do projeto.
- Tecnologia: este pilar abrange os softwares de modelagem e gestão, como o Revit e Archicad, além de hardware e infraestrutura de rede. A tecnologia atua como meio viabilizador dos processos colaborativos previamente definidos. Ela sustenta a metodologia, mas não a substitui, nem deve ser entendida como um fim em si mesma.
Além do 3D: o valor da informação no BIM
A associação entre BIM e simples modelagem tridimensional é um dos equívocos mais recorrentes no setor. Embora a representação em 3D seja um recurso visual relevante, ela não traduz, por si só, o real potencial da metodologia. O principal diferencial do BIM está na letra “I”, Informação.
Em um modelo BIM, cada elemento, como paredes, portas ou vigas, deixa de ser apenas uma representação gráfica e passa a ser um objeto inteligente, estruturado para armazenar e compartilhar um conjunto amplo de dados técnicos. Essas informações associadas aos elementos permitem que o modelo ultrapasse as três dimensões espaciais e incorpore camadas adicionais de análise e gestão, conhecidas como dimensões BIM.
4D: acrescenta a variável tempo, viabilizando o planejamento da obra e a simulação da sequência construtiva.
5D: integra os custos, permitindo a extração automatizada de quantitativos e a elaboração de orçamentos mais precisos e atualizáveis.
6D: incorpora análises voltadas à sustentabilidade e à eficiência energética, apoiando decisões técnicas ainda nas fases iniciais do projeto.
7D: contempla a gestão e manutenção do ativo, acompanhando a edificação ao longo de todo o seu ciclo de vida após a entrega.
8D: consiste em usar o modelo BIM para identificar riscos, planejar medidas de proteção e apoiar o conceito de “acidente zero” no canteiro e na operação.
9D: associa BIM aos princípios de Lean para reduzir desperdícios (retrabalho, espera, excesso de estoque, transporte desnecessário etc.).
10D: integra informações físicas, comerciais e logísticas para planejar produção seriada, montagem em campo e coordenação entre fábrica, transporte e obra.

BIM vs. Lean Manufacturing
O BIM pode ser comparado à metodologia Lean Manufacturing, que se estrutura como um sistema de gestão voltado à eliminação de desperdícios e à otimização de processos. O Lean representa uma filosofia organizacional, baseada em princípios e formas específicas de planejar e executar o trabalho.
Nesse contexto, um software de gestão de produção, como um ERP, funciona como a ferramenta que apoia a aplicação dessa filosofia. É possível utilizar o software sem adotar os princípios do Lean, obtendo resultados limitados, assim como é possível aplicar o Lean com recursos simples e processos manuais. No entanto, o maior potencial é alcançado quando metodologia e ferramenta operam de forma integrada.
A relação entre BIM e Revit segue a mesma lógica. A metodologia define o modo de pensar, estruturar e gerir o projeto. A ferramenta apenas viabiliza, de forma mais eficiente, a aplicação desses princípios.
O que é Revit
O Autodesk Revit é um software de modelagem paramétrica desenvolvido para atender às demandas operacionais da metodologia BIM (Building Information Modeling). Sua principal função é permitir a criação de modelos tridimensionais inteligentes, estruturados a partir de informações técnicas integradas.
Diferentemente de programas voltados apenas à representação gráfica, o Revit opera com objetos paramétricos, capazes de armazenar dados e manter relações consistentes entre os elementos do projeto. Essa característica torna o modelo dinâmico: ao alterar um componente, como uma parede, o software ajusta automaticamente portas, janelas e demais elementos associados.
Reconhecido por sua abrangência e capacidade de integração multidisciplinar, o Revit é apontado por levantamentos internacionais como o software de modelagem BIM mais utilizado em países como Reino Unido, Malásia e Egito. Essa popularidade, no entanto, também contribui para uma confusão recorrente no setor: a associação direta entre Revit e BIM, como se ambos fossem equivalentes.

Principais funcionalidades
O Revit concentra, em uma única plataforma, diversas etapas do processo de projeto, o que o torna uma ferramenta relevante para ambientes multidisciplinares. Entre suas principais funcionalidades, destacam-se:
Modelagem paramétrica 3D: Em substituição ao desenho bidimensional característico do CAD, o Revit trabalha com a construção de um modelo virtual do edifício. As relações entre os elementos são paramétricas, o que garante que alterações em componentes, como paredes, resultem automaticamente no ajuste de portas, janelas e demais elementos associados.
Geração automática de documentação: A partir de um modelo único e centralizado, o software gera plantas baixas, cortes, elevações e vistas tridimensionais de forma automatizada. Qualquer modificação realizada no modelo é refletida em toda a documentação técnica, reduzindo retrabalho e minimizando inconsistências entre pranchas.
Colaboração multidisciplinar: O Revit conta com versões específicas para Arquitetura, Estrutura e sistemas MEP, mecânica, elétrica e hidráulica. Essa configuração permite que diferentes disciplinas atuem de forma integrada sobre um mesmo modelo, ampliando a compatibilização e a consistência das informações.
Essas aplicações podem ser observadas nas imagens a seguir, referentes a um dos projetos de instalações hidrossanitárias desenvolvidos pela Nós Arquitetura e Engenharia. Cada tubulação e conexão é modelada como um objeto paramétrico, associado a dados técnicos como diâmetro, tipo de material e especificações normativas.

Revit não é a única ferramenta BIM
A ampla difusão do Autodesk Revit no mercado global ajuda a explicar a confusão entre ferramenta e metodologia. Pesquisas documentadas entre 2016 e 2023 apontam o software como o mais utilizado em diferentes países, o que faz com que muitos profissionais associem o uso do Revit à própria aplicação do BIM.
Os relatórios anuais da NBS (National Building Specification), no Reino Unido, demonstram essa tendência. Em 2016, o Revit era utilizado por 31% dos respondentes; em 2017, o índice subiu para 41%; em 2018, para 44%; em 2019, para 46%; e em 2020 alcançou 50% da amostra. Resultados semelhantes foram observados no relatório da CIDB Malaysia (2019), com 46% de adoção, e em estudo conduzido no Egito (2023), em que 82% dos profissionais especializados em BIM declararam utilizar o programa.
Mesmo com essa liderança expressiva, o Revit não representa todo o ecossistema BIM. Há outras plataformas consolidadas que também viabilizam a aplicação da metodologia, cada uma com especializações e enfoques distintos:
- ArchiCAD: frequentemente apontado como um dos principais concorrentes do Revit, com forte presença em projetos de arquitetura.
- Tekla Structures: software especializado no desenvolvimento de projetos estruturais, com ênfase em estruturas metálicas e de concreto.
- Allplan: solução integrada voltada à arquitetura e à engenharia, com foco em coordenação de projetos.
- Vectorworks: ferramenta adotada por arquitetos e designers, reconhecida por sua flexibilidade de uso.
Um relatório do Institute for BIM no Canadá aponta que parte dos profissionais afirma “usar BIM” quando, na prática, apenas modela no Revit, sem adotar processos colaborativos, interoperabilidade ou gestão estruturada da informação. Esse comportamento reforça o equívoco conceitual que confunde ferramenta e metodologia.
Portanto, embora o Revit seja o software de modelagem mais utilizado nas pesquisas da NBS, da CIDB Malaysia e do estudo egípcio, é fundamental compreender que o BIM não é um software. Trata-se de uma metodologia de trabalho baseada em integração, colaboração e gestão da informação. O sucesso do Revit contribuiu para difundir o conceito, mas distinguir ferramenta e processo é condição indispensável para uma adoção BIM consistente e eficiente.
É possível utilizar o Revit sem aplicar a metodologia BIM?
Em muitos casos, organizações adotam o Revit e passam a utilizá-lo apenas como uma ferramenta de modelagem tridimensional mais sofisticada, equivalente a um CAD em três dimensões. Os modelos produzidos são visualmente elaborados, mas não incorporam, de forma consistente, os demais pilares que sustentam a metodologia BIM.
Essa utilização limitada ocorre, principalmente, pela ausência de dois elementos fundamentai:
- Processos: Os fluxos de trabalho permanecem fragmentados e sequenciais, sem adoção de práticas colaborativas e sem a implementação de um Ambiente Comum de Dados (CDE). O modelo circula entre equipes por meio de trocas pontuais de arquivos, em vez de ser gerenciado de forma centralizada e contínua.
- Pessoas e informação: As equipes deixam de estruturar e alimentar o modelo com dados relevantes. Elementos como paredes, portas e componentes construtivos existem apenas como geometria, sem informações associadas sobre materiais, custos, desempenho ou requisitos normativos. O modelo, nesse contexto, não atua como uma base de informação, mas apenas como uma representação gráfica.
Nessas condições, embora a empresa esteja utilizando uma ferramenta compatível com BIM, a metodologia BIM não está sendo efetivamente aplicada. O resultado é a subutilização de um software de alto investimento e a perda significativa de ganhos potenciais relacionados à produtividade, à redução de custos e à mitigação de riscos ao longo do projeto.
A relação crítica entre metodologia e ferramenta
Compreender a diferença entre BIM e Revit leva à questão central: como metodologia e ferramenta devem atuar de forma integrada. A maneira como essa relação é estabelecida pode definir o sucesso ou o fracasso de uma implementação BIM.
O cenário ideal: o Revit a serviço de um processo BIM estruturado
No cenário mais consistente, a empresa começa pela definição dos processos BIM. São criadas diretrizes claras de colaboração entre equipes, definidos os níveis de informação necessários em cada fase do projeto e estruturada a gestão dos dados em um Ambiente Comum de Dados (CDE).
Essa definição é fundamental, pois cada etapa do projeto exige um tipo e um nível distinto de modelagem. Em um estudo preliminar, por exemplo, não há necessidade de modelar revestimentos, argamassas ou outros elementos de detalhamento. Inserir esse nível de informação nessa fase representaria apenas desperdício de tempo e esforço. No entanto, quando o projeto evolui para o nível executivo, essas modelagens tornam-se essenciais para garantir precisão, compatibilização e confiabilidade das informações.
Com os processos estabelecidos e as equipes capacitadas, o Revit, ou qualquer outra ferramenta BIM, assume seu papel como tecnologia de suporte à metodologia. Nesse contexto, o software é explorado em sua plenitude: o modelo deixa de ser apenas uma representação geométrica e passa a concentrar informações organizadas, cumprindo o verdadeiro papel do “I” no BIM.
Assim, o modelo se torna uma única fonte de informação confiável para todos os agentes envolvidos, permitindo o uso efetivo das dimensões 4D, 5D e demais extensões que caracterizam o BIM como processo colaborativo e integrado.
O cenário recorrente: o Revit como um CAD tridimensional avançado
Na prática de mercado, observa-se com frequência o caminho inverso. A empresa adquire licenças do Revit, promove treinamentos voltados às funcionalidades básicas da ferramenta, mas não revisa seus processos internos. O resultado é a produção de modelos tridimensionais visualmente elaborados, porém com baixo conteúdo informacional.
A colaboração permanece apoiada em métodos tradicionais, e os benefícios centrais da metodologia BIM, como a detecção antecipada de interferências, a extração confiável de quantitativos, a orçamentação integrada e o planejamento 4D, não são efetivamente alcançados. Nessas condições, o Revit passa a operar como um CAD tridimensional sofisticado, com alto custo e baixo aproveitamento estratégico.
Para ilustrar, apresentamos uma tabela comparativa simples:
| Característica | BIM (A Metodologia) | Revit (A Ferramenta) |
| Definição | Um processo colaborativo de gestão da informação. | Um software de modelagem paramétrica. |
| Componente Principal | Informação (dados, processos, colaboração). | Geometria (modelo 3D). |
| Natureza | Abstrata, uma filosofia de trabalho. | Concreta, um produto de software. |
| Objetivo | Otimizar o ciclo de vida completo de um ativo. | Criar um modelo digital inteligente de um projeto. |
| Exclusividade | Não. É um padrão aberto. | Não. Existem outras ferramentas como ArchiCAD, Tekla, etc. |
Consequências práticas da confusão conceitual
A falta de distinção entre metodologia e ferramenta traz reflexos no desempenho técnico e financeiro dos projetos. São eles:
- Retorno sobre investimento comprometido: investimentos em software e treinamento não resultam em ganhos efetivos de produtividade quando a metodologia BIM não é estruturada nem aplicada de forma consistente.
- Falsa percepção de maturidade digital: a adoção do Revit é muitas vezes interpretada como sinônimo de inovação, enquanto os processos internos permanecem ineficientes, limitando a evolução e a competitividade da empresa.
- Erros e retrabalho recorrentes: sem um ambiente colaborativo centralizado, a compatibilização entre disciplinas depende de verificações manuais, o que leva à identificação tardia de conflitos em obra e ao aumento significativo dos custos de correção.
Contexto brasileiro: o impacto do decreto BIM e das normas técnicas
A distinção entre metodologia e ferramenta ganha importância adicional no contexto do marco regulatório brasileiro. A implementação do BIM no Brasil tem sido impulsionada por políticas públicas e normativas específicas, que estabelecem metas progressivas de adoção e parâmetros técnicos obrigatórios.
Nesse cenário, compreender o BIM como um processo metodológico torna-se essencial para que empresas atendam às exigências legais, participem de licitações públicas e alcancem padrões de desempenho compatíveis com as referências internacionais do setor.
O que estabelece o Decreto nº 10.306, de 2020
Publicada em 2020, a norma federal institui a obrigatoriedade do uso do BIM na execução de obras e serviços de engenharia no âmbito da administração pública federal. Inserido na Estratégia BIM BR, o Decreto nº 10.306 define um cronograma gradual de adoção, com etapas que ampliam progressivamente o alcance da metodologia.
O ponto essencial do decreto é que ele exige a aplicação da metodologia BIM, e não o uso de um software específico. O texto legal define requisitos para entrega de modelos, níveis de informação e processos de gestão, mas deixa livre a escolha das ferramentas utilizadas. O atendimento às exigências pode ser realizado por meio de diferentes plataformas, desde que os modelos sigam os padrões estabelecidos e sejam entregues em formatos interoperáveis, como o IFC, que permite a troca de dados entre sistemas distintos.
A norma ABNT NBR 15965 e a padronização da informação
Como suporte à aplicação do BIM, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) desenvolveu um conjunto de diretrizes específicas, com destaque para a NBR 15965. Essa norma define o sistema de classificação da informação da construção, estabelecendo critérios para estruturar e padronizar os dados inseridos nos modelos.
O foco recai sobre o processo e a consistência das informações. A norma garante interoperabilidade, clareza e rastreabilidade na gestão dos dados, permitindo que diferentes agentes e ferramentas operem dentro de uma lógica comum.
A importância da distinção em contratos públicos
Para empresas que participam ou pretendem participar de licitações, compreender a diferença entre metodologia e ferramenta é essencial. A suposição de que a simples adoção do Revit atende às exigências legais representa um risco operacional e contratual relevante.
Os editais públicos tendem a requerer entregas estruturadas segundo processos BIM consolidados, como modelos federados, análises automáticas de interferências e orçamentação integrada em 5D. Sem uma metodologia estabelecida e equipes treinadas para atuar de forma colaborativa, torna-se inviável atender a essas demandas, independentemente do software utilizado.
Como iniciar corretamente e evitar equívocos conceituais
Distinguir BIM e Revit é compreender que metodologia e ferramenta ocupam papéis complementares, mas distintos. Confundir esses conceitos é como confundir uma receita com o utensílio usado para prepará-la. A ferramenta pode ser precisa e sofisticada, porém, sem um método estruturado, insumos adequados e profissionais capacitados, o resultado não se concretiza. É a integração entre pessoas, processos e tecnologia que revela o verdadeiro potencial do BIM.
De forma objetiva, essa diferença se resume a três pontos centrais:
- BIM é processo, Revit é produto: o BIM representa uma metodologia colaborativa de gestão e produção da informação. O Revit é um software que apoia essa metodologia.
- O valor do BIM está na informação, o do Revit na modelagem: o BIM agrega valor ao organizar e conectar dados ao modelo. O Revit destaca-se pela criação e gerenciamento de modelos paramétricos tridimensionais.
- BIM é um padrão aberto, Revit é uma solução específica: a metodologia BIM pode ser aplicada em diversas plataformas. O Revit é uma dessas ferramentas, não a única.
Caminhos para uma adoção consistente
Empresas que desejam adotar o BIM de forma sólida devem compreender que a transformação não começa pela compra de software, mas pelo planejamento estratégico. Três etapas são essenciais para essa transição:
- Análise dos processos atuais: identificar como a equipe trabalha, mapear gargalos e reconhecer falhas operacionais.
- Definição de objetivos claros: determinar quais resultados se pretende alcançar com o BIM, como redução de retrabalho, melhoria da compatibilização ou aumento de produtividade.
- Escolha da tecnologia adequada: somente após compreender os processos e metas é possível selecionar a ferramenta mais compatível com as necessidades da empresa.
A adoção do BIM é um processo de transformação organizacional e cultural, que ultrapassa a esfera tecnológica. Quando conduzido de maneira estruturada, gera ganhos expressivos em eficiência, qualidade técnica e rentabilidade.
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Referências
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